As terras do Campo Grande localizavam-se para além dos campos do Irajá e se estendia no século XVII pelas terras que atualmente compõem os bairros de Deodoro, Realengo, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Campo Grande, Santíssimo, Inhoaíba e Cosmos. O cultivo do café nas terras do Campo Grande teve maior destaque na Fazenda do Mendanha e trouxe um breve período de opulência para região que veio posteriormente perder sua supremacia para os atuais municípios de Vassouras e Resende. Com a crise da cultura do café, iniciada no final do século XIX e persistindo no século seguinte, as terras de Campo Grande foram direcionadas para novas frentes de produção agrícola, tais como a olericultura e a citricultura. Até os anos 40, Campo Grande foi considerado a grande região produtora de laranjas, o que lhe rendeu o nome de “Citrolândia”, beneficiando-se da já existente Estrada de Ferro D. Pedro II. O dinamismo econômico dos sucessivos ciclos agrícolas consagrou a imagem da atual zona Oeste da cidade como o celeiro do Distrito Federal.
Na década de 60, a especulação imobiliária avança na região a ponto de degradar as atividades agrícolas remanescentes e a partir dos de 1970 ocorre a instalação do denominado Parque dos bairros de Campo Grande e Santa Cruz. Tais décadas marcam um período de profundas transformações econômicas para a região. Dessa forma, a Zona Oeste deixava de ser famosa por sua importância fruticultora.
No confronto entre os remanescentes de uma cultura rural, traços de urbanização se insinuaram e nesse embate entre o “tradicional” e “novo”, foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) do Parque Estadual da Pedra Branca, com a intenção de preservar a região. É, portanto, no contexto dessa ambiguidade que se particulariza a Zona Oeste, ou seja, entre o rural e o urbano.
Desta forma, analisando o conjunto de transformações que incide sobre a comunidade formada por pequenos agricultores do Rio da Prata, localizada no bairro de Campo Grande (RJ), que o presente projeto de pesquisa se debruça, objetivando investigar, não somente o resultado das atuais conjunturas jurídico-institucionais que permeiam o processo em tela, mas sobretudo, analisar as ressignificações de relações presentes na tensão entre passado e presente, urbano e rural que se apresentam no bojo da implantação da atividade turística na região.